As lições do Vale do Silício para as empresas brasileiras
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As lições do Vale do Silício para as empresas brasileiras

As lições do Vale do Silício para as empresas brasileiras

O Vale do Silício é um pólo de tecnologia e inovação que abrange 16 cidades da  Califórnia, nos Estados Unidos

Antes de trazer as lições de empreendedorismo que o Silicon Valley – ou Vale do Silício – tem a ensinar para as empresas brasileiras, gostaria de lembrar que a história dessa região, localizada na Califórnia, nos Estados Unidos, é por si só uma grande inspiração.

 

Começando pelo fato de que se você falasse para um norte-americano, há um pouco mais de meio século, que ali seria erguido um dos maiores pólos tecnológico do mundo, eles não acreditariam.

 

As cidades que abrangem o Vale – Palo Alto, Santa Clara, Newark, Menlo Park, Campbell, Union City, Milpitas, Sunnyvale, Cupertino, Los Gatos, Fremont, Redwood City, Saratoga, Los Altos, Mountain View e San Jose -, eram consideradas, até a sua criação, cidades pacatas. Então, como se tornaram o que são?

 

História

 

O termo Silicon Valley foi utilizado a primeira vez em 1971, pelo jornalista Don Hoefler. Mas, as empresas de tecnologia começaram a surgir por ali ainda no início do século XX, com experimentações em inovação nas áreas de rádio, televisão e produtos eletrônicos para a área militar, na época da Segunda Guerra Mundial. Foi assim que surgiu, por exemplo, os osciloscópios da Hewlett-Packard, que você mais deve conhecer como HP.

Com o fim da guerra, as atividades continuaram. E foram impulsionadas pela Guerra Fria: a corrida econômica travada entre os Estados Unidos e a União Soviética, fizeram com que o governo criasse políticas de incentivo ao setor privado.

 

Assim, várias indústrias começaram a surgir ao redor de São Francisco. O nome que a região recebeu não é oficial, mas surgiu em referência ao material utilizado pelas empresas de pesquisa e manufatura de circuitos integrados de silício, como a Fairchild Semiconductor: o Silício.

 

A Fairchild, inclusive, é um exemplo do que é a inovação: tentativa e erro. Ela nasceu da persistência dos funcionários da Shockley Semiconductor Laboratories diante do fracasso. A empresa de Willian Shockley, vencedor do Prêmio Nobel de Física, foi uma das primeiras a se instalarem no Vale, contando com oito jovens pesquisadores para desenvolver transistores feitos de silício e germânio.

 

Ao longo dos anos, esses investimentos aumentaram e propiciaram o surgimento de gigantes da tecnologia, entre as quais estão Intel, Dell, Apple e Microsoft; além das grandes empresas da era digital, tais como Google, Facebook, Twitter e Netflix.

 

Hoje, esse conglomerado de cidades é responsável por grande parte do desenvolvimento e exportação de softwares, hardwares, aplicativos e serviços relacionados ao setor tecnológico e acadêmico.

 

A vasta agenda de eventos na região – incluindo convenções, palestras, workshops, congressos- , é um chamariz de novos empreendimentos, por facilitar networking, fluxo de informações e possibilidades de negócios, ao promover conexões entre desenvolvedores, investidores e aceleradoras com quem tem uma nova ideia que pode resultar em um bom negócio, produto ou serviço.

 

Glória Hunt, executiva do Consulado Geral do Brasil em São Francisco/EUA, foi palestrante do Conexão Cindes edição de Lançamento do Findeslab, em setembro. | Foto: Alexandre Mendonça – UCI Findes

Lições

 

Lições tiradas da cultura empreendedora do Vale do Silício foram trazidas pela executiva do Consulado Geral do Brasil em São Francisco/EUA, Glória Hunt, em sua passagem pelo Findeslab, em setembro.

 

Glória mora na Califórnia há 20 anos, mas foi há dois anos se tornou responsável por assessorar empresas estrangeiras, incluindo as brasileiras, que querem ter acesso ao Vale. Seu trabalho é fazer com que assimilem o modo de fazer negócios e as diferentes abordagens para a inovação da região.

 

“Tenho uma verdadeira paixão em compartilhar as experiências e lições que o Vale me trouxe. São questões importantes para a vida profissional do empreendedor, do inovador e mesmo para a vida pessoal, que aprendi ao conversar com pessoas, no processo de ajudá-las a compreender como pensamos e como os negócios são feitos. É uma paixão ajudar o Brasil a andar para frente, que é o que a gente merece”, disse.

 

Então, confira essa lições:

 

– Diversidade

 

Muitos governos tentam replicar o modelo do Vale do Silício, mas há uma característica que é irreplicável: a diversidade de pessoas. Para quem conhece a região, sabe que essa é uma das áreas mais cosmopolitas do mundo. Essa diversidade de culturas e ideias traz uma maneira criativa de identificar, pensar e solucionar os problemas. As estatísticas apontam que 71% das pessoas que trabalham lá não são norte-americanos.

 

– Conhecimento

 

O capital intelectual do Vale do Silício: é lá que está a maior universidade pública dos Estados Unidos, a Universidade da Califórnia em Berkeley; a maior produção de startups e pesquisas do mundo também se concentra lá, sendo resultado de Berkeley e a Universidade de Stanford; a segunda maior Biblioteca Pública do país; o SRI International (Standford Research Institute International), um centro de pesquisa aplicada que pertencia a universidade, mas hoje em dia é independente; e o Ames NASA Research Center, que é o centro de pesquisa da agência espacial norte-americana.

 

– Cultura do “Give Back”

 

Glória conta que nos Estados Unidos existe, por assim dizer, uma cultura do retorno. Ou seja, após concluírem o ensino superior, os alunos egressos têm a prática de “retornarem” as oportunidades que a universidade lhes deu. O governo investe nas pesquisas realizadas por professores e alunos nos centros acadêmicos. Posteriormente, ao se tornarem empresários de sucesso, eles realizam doações para o local onde se formaram. Além disso, continuam participando da vida acadêmica de alguma forma.

 

– Investimento

 

Como relatamos acima, ao conta um pouco da história do Vale do Silício, os investimentos realizados pelo governo dos Estados Unidos na iniciativa privada foram essenciais para o desenvolvimento da região. É um local onde o capital se multiplica em uma velocidade impressionante: quanto mais sucesso há, mais dinheiro entra, mais investimentos são realizados, mais empreendimentos são atraídos para o local.

 

Em 2018, o Vale do Silício teve um investimento total de US$ 116 bilhões em venture capital. Essa é uma modalidade de investimento composta por investidores e fundos de investimento de risco. Neste ano, esse valor deve ser ainda maior já que, até agosto, os números chegavam em US$ 55 bilhões.

 

– Compartilhamento de ideias e colaboração

O compartilhamento de ideias e a colaboração são parte do mindset da região e, isso, contribui para o crescimento das startups e das empresas. “Há um consenso no Vale de que Ideias não podem ser roubadas, porque já existem. Se sua ideia resolve o problema de alguém, com certeza essa pessoa já pensou nela. O que faz a diferença é a maneira como você irá executar essa ideia”, explica Gloria.

 

Nesse processo, surgem as colaborações. Ao contar a sua ideia, você pode conseguir ajuda na execução; investimento; pode ajudar na maturidade da solução, entre diversas outras possibilidades.

 

– Conexões e relacionamentos

O ambiente colaborativo do Vale é um terreno fértil para criar conexões. E, segundo a executiva do Consulado Geral do Brasil em São Francisco, elas são extremamente importantes. “No Silicon Valley, as coisas acontecem devido às conexões que você cria. Elas tornam nossos relacionamentos verdadeiros patrimônios”, diz.

 

Mas, ela frisa que essas conexões devem ser relevantes e trazer objetivos em comum entre as partes. “Tomamos muito cuidado com as conexões que intermediamos: quem a gente apresenta a quem, em que ocasião e o porquê dessa conexão”, frisa Glória.

 

– Arrisque 

 

“No Vale, todo mundo é tomador de risco”. Para os empreendedores locais, o risco sempre vale a pena, pois é visto como um leque de oportunidades e novas chances de desenvolvimento. Eles valorizam a experimentação, a tentativa e erro. Assim, entendem que errar é parte do processo e, ao invés de vê-los como fracasso, enxergam como um clico realizado.

 

– Tempo é dinheiro

 

Por trás da execução de uma ideia inovadora, há sempre um investidor. Portanto, embora errar seja aceitável, permanecer no erro não é. Por isso, Glória sugere: “Se a sua ideia não der certo, troca. Mude rápido para outra solução, não insista no seu erro”.

 

– Ritmo acelerado

 

O ambiente de trabalho do Vale é regido pela objetividade. Eles prezam pela entrega de atividades de maneira rápida e eficaz.

 

– Comunicar e ouvir

 

O diálogo é essencial para fazer a inovação acontecer, mas ouvir também é. Os americanos têm por cultura ouvir o que as pessoas têm a dizer sobre o projeto deles. Embora possa ser doloroso, caso o feedback seja negativo, é um caminho necessário. Os erros sendo apontados ajuda na tomada de decisão

 

 

Por Fiorella Gomes

 

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